A importância do estágio e como tirar o melhor proveito para construir uma boa imagem profissional.

Quando eu ingressei no curso de Direito tinha em mente como primeira meta, iniciar um estágio em um escritório de advocacia, pois sempre sonhei em ser advogada, não cogitava uma carreira pública. Pensei que seria uma excelente estratégia para, além de poder trabalhar e ganhar algum dinheiro, agregar conhecimento prático ao teórico e ao mesmo tempo, me integrar no ambiente profissional.
A oportunidade do primeiro estágio me veio em 1999, já no primeiro ano da faculdade. Eu havia conseguido encontrar um escritório que me despertou interesse em estagiar. Contudo, não havia vaga de estágio disponível no momento, apenas uma vaga de recepcionista, a qual me candidatei de imediato pois imaginei que facilitaria meu ingresso no estágio.
Com muita insistência consegui ser contratada. Foi interessante, mas estressante. Atendia muitas ligações de clientes nervosos comigo, mas calminhos com os advogados. Também era eu a destinatária de diversas solicitações nervosas de ligações, todas urgentes é claro. Mas levava tudo com tranquilidade, pois sabia que aquela situação seria provisória. E foi.
Poucos meses depois, finalmente abriu uma vaga para estágio, mas o escritório realizava seleções teóricas e entrevistas, então passei a me preparar para me submeter às etapas, com receio de que os sócios pudessem rejeitar minha candidatura à sonhada vaga. Mas eles não se opuseram. Para minha feliz surpresa, fui contratada com dispensa de seleção. Os sócios consideraram que já tinham condições de saber sobre minha capacidade e força de vontade. Eu teria o perfil afinal. Que felicidade. Era então uma estagiaria de Direito.
Dali em diante tive mais duas experiências de estágio até o fim da faculdade, com um pequeno hiato de menos de doze meses, quando resolvi ganhar um pouco melhor vendendo aparelhos de celular, que na minha época era um bom negócio.
Sentí que durante este limbo de pouco meses estava ficando para trás no meu projeto, e de fato, foi complicado retomar o estágio em um bom escritório, e contei com a preciosa ajuda de uma grande amiga minha que estava estagiando em um escritório conceituado e que me facilitou a entrevista. Fiquei no escritório até me formar, quando por opção, resolvi sair, por entender que teria melhores perspectivas advogando de forma autônoma. Foi a melhor decisão. Mas essa é outra história.
Hoje contrato e oriento os estudantes que passam por meu escritório. Nesse momento, por exemplo, estou em fase de seleção para a contratação de dois novos. E sinto uma imensa dificuldade de ver em muitos desses estudantes aquela gana que eu e muitos colegas da minha geração tinham. São muitas vezes pessimistas e com uma energia de trabalho que eu considero lastimável para jovens iniciantes. Pensam que o estágio lhe tiram tempo de estudo e etc., e reclamam se mesmo no início do curso, não lhe é dada a oportunidade de fazer uma petição, por exemplo, além de terem inúmeras carências acadêmicas. É muito frustrante contratar um estagiário hoje em dia. Esse é o pensamento de muitos dos meus colegas também, infelizmente.
Depois, o que acontece é que esses estudantes (me refiro a uma parcela claro, e não todos), quando se formam, ficam desesperados para advogar (quando conseguem passar no exame) e ao serem questionados sobre o mínimo de experiência dizem logo: “olha, eu não tenho experiência, mas gostaria muito de aprender.” É sério?
Eu, como sócia que quer contratar um advogado (a) penso logo: “mas eu quero contratar um advogado, e não um estagiário!”.
Para concluir, penso que os estudantes que querem advogar ou fazer concurso devem estagiar além do estágio obrigatório, pelo menos doze meses, nos últimos semestres.
O conhecimento teórico é abstrato se não é conciliado com a prática. Portanto, seguem algumas dicas para os estudantes de direito, mas que acho que se aplica a outras áreas também:
1 – Estagie. E ao buscar um estágio, não exija demais. Hoje em dia existe lei que protege o estagiário (no meu tempo não havia nada), e como estudante, seu poder de barganha é quase zero;
2 – Mostre curiosidade real quanto ao processo, tanto o processo judicial quanto ao modus operandi do escritório ou da repartição;
3 – Observe o comportamento dos profissionais, especialmente em momentos de crise;
4 – Prepare-se para ser um gestor, de processos, administrativo e de pessoas. A faculdade não te prepara para isso;
5 – Seja humilde. O estagiário que se preze irá sim, especialmente nos primeiros semestres, bater perna no fórum; chorar para o servidor mal humorado encaminhar os autos ao juiz; pedir pelo amor de Deus para sair um alvará, e ainda levará bronca do chefe quando tiver más notícias. Lembre-se, pode não parecer, mas seu chefe é do seu time. Quando se tornar um advogado, o cliente não será piedoso;
6 – Leia. Leia ainda que sejam blogs rsrsr, bons é claro. Mas leia, enriqueça seu vocabulário, que não precisa ser formado por linguajar técnico, mas deve ser correto e amplo;
7 – Escreva e se expresse;
8 – Comporte-se!!! Por favor, lembre-se que quando estiver em uma audiência, será por demais constrangedor deparar-se com alguém que te viu caído de bêbado no chão de algum boteco de faculdade;
9 – Respeite seus mestres, eles podem ter uma importância enorme no seu futuro;
10 – Relacione-se bem. Relacione-se com pessoas que tenham o mesmo objetivo que você e que aja de acordo. Isso é bíblico.
Bem, tentei encontrar uma maneira sucinta de mostrar meu ponto de vista a partir da minha experiência. Espero que essas dicas sejam proveitosas.
O futuro é incerto à todos, mas acredito que nós sempre podemos escolher o melhor e aproveitar o universo de informações que temos disponíveis hoje, é só querer!
Beijos,
Lisi.

Deixe um comentário