AS ESPECIALIDADES MAIS LUCRATIVAS NA ADVOCACIA EMPRESARIAL

Quando pensei em como iria abordar este tema, inevitavelmente me veio em mente números, o que me fez averiguar o meu próprio exemplo a partir das causas que minha firma mais aferiu lucro. Quais são os clientes mais rentáveis e as causas mais lucrativas que estes nos trouxerem. Obviamente sabemos quem e quais são, mas quis visualizar isto com mais clareza e objetividade. Infelizmente não pude elaborar um gráfico, estatística ou algo mais sofisticado, mas constatei que existem causas superiores à R$ 100.000.000,00 (cem milhões de reais), e causas de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) entre um mesmo seguimento.
Na página on line Guia de Carreira, existe um artigo com um título semelhante a este, que pretende apontar as áreas mais bem pagas do Direito, distinguindo entre iniciativa pública e iniciativa privada. A iniciativa pública não me interessa, já que em um contexto remuneratório penso que a única vantagem é a tal da estabilidade financeira, pois a evolução da remuneração é limitada pela Constituição e o lucro é proibido em razão da natureza da atividade. Servidor não lucra, apenas é remunerado, isso não é demérito, é fato.
Abro aspas à um comentário recorrente que ouço de que “advogado rico é advogado corrupto”. E eu sempre retruco dizendo o seguinte: “Não, servidor rico é servidor corrupto se não tiver mais de vinte anos de carreira” (porque depois deste tempo pode, por meio de bons investimentos, tornar-se rico sim). Só existe advogado corrupto porque há um servidor corrupto. Um alimenta o outro. Entretanto, o advogado pode tornar-se rico em menos de dez anos de carreira, honestamente, se atuar nas “causas certas”. Salvaguardada minha amada profissão e sem entrar em tema espinhoso de gestão financeira, finalizo afirmando que se pretende o profissional do direito enriquecer, o serviço público não deve ser sua alternativa.
Retomando a alusão feita ao artigo acima indicado, nele consta que as áreas do direito na iniciativa privada que melhor remuneram o advogado são: 1o) tributário; 2o) empresarial; 3o) imobiliário; 4o) trabalhista e 5o) Civil. Finalizar com direito civil foi uma saída de mestre, já que muita coisa se encaixa como “direito civil”. Esse ranking me parece ter sido tirado de uma vala comum, já que o direito tributário alimenta o mito de ser uma área de atuação lucrativa muito além das demais. Entretanto, já alertei os leitores em outra oportunidade, de que as especialidades são inúmeras e muitas delas podem ser abraçadas pela advocacia empresarial.
Ao meu ver, o direito tributário pode ser apenas um coadjuvante no escritório, se a atuação limitar-se à apenas tratar de pequenas operações de tributos, defesas administrativas, aconselhamento e ações das mais variadas. Entretanto, o direito de incorporação, que envolve operações de incorporação imobiliária e empresarial, fusões, cessões entre empresas é via de regra, muito lucrativo, e o direito tributário é amplamente praticado nestes tipos de operações empresariais.
Me espanta, portanto, que o direito empresarial esteja apenas na segunda posição, sobretudo pela sua enorme abrangência, que inclusive pode incluir todas as demais posições, pelo ponto de vista da atuação. Possivelmente o ranking tenha sido elaborado sob a ótica de um ambiente corporativo, em que todas as especialidades são minuciosamente distintas, mas em um escritório, pode haver todas elas reunidas.
Me arriscarei a criar meu próprio ranking à partir da atuação da minha firma, cujas áreas mais lucrativas são as seguintes:
1o) direito do agronegócio;
2o) direito societário;
3o) direito tributário;
4o) direito ambiental;
5o) direito minerário;
5o) franquias;
6o) direito do trabalho;
7o) contratos.
Logicamente fiz uma estimativa dentre as causas ativas, e não relacionei aqui causas avulsas de outras especialidades do direito eventualmente praticadas em defesa de clientes cativos, mas acredito que possam haver outras especialidades que facilmente entrariam nesta lista, e algumas delas até modificar este despretensioso ranking como a área de falência e recuperação judicial e fusões e incorporações de empresas, esta última inclusive, pode ser a mais lucrativa dentre todas, ante às cifras inacreditáveis que costumam girar nestes negócios.
Finalizo afirmando que mesmo em áreas reconhecidamente lucrativas, pode-se aferir muito ou pouco. O segredo é o nível de especialidade a ter a capacidade de extrair o melhor de determinada causa, bem como, a capacidade de realizar uma triagem acerca das demandas que realmente valem à pena patrocinar, caso contrário, até mesmo nestas áreas pode-se obter prejuízos ao invés de lucro, e este vem apenas com uma boa negociação pré contratação.

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