Como Ela Consegue?

Começo esse post advertindo que não é minha intenção adotar um ou outro posicionamento acerca do eterno dilema feminino: família x profissão. Muito menos apontar quais desses “objetivos”, por assim dizer, teria prioridade sobre o outro.
A intenção aqui é ajudar àquelas mulheres que se encontram de algum maneira angustiadas em ter de decidir algo sobre seu futuro. Ou melhor, que estão naquele momento crucial em que toda mulher, salvo exceções, se encontrará, com aquele sentimento de que se deve decidir se irá priorizar os interesses da família ou os interesses profissionais, e ainda, se um anula o sucesso do outro.
Devo dizer que este post exclui, por óbvio, as mulheres que optaram em investir em suas carreiras profissionais independente de constituir família, e aquelas, que optaram por ser ou se tornar donas de casa e mães em tempo integral.
Mas se o caso é de querer ter as duas coisas (como a maioria das mulheres), espero sinceramente ajudar.
Dando uma olhada rápida nos vários textos à respeito do assunto, verifiquei que existem diversos post que prometem uma fórmula à ser seguida para que a mulher alcance o sucesso e a satisfação plena nessas duas áreas da vida, pessoal e profissional, bastando que se siga algumas “dicas” ou algumas “regras”.
Como mãe, esposa e profissional afirmo-lhes: isso não existe! Não caiam na bobagem de se fazerem reféns de regras para se tornar bem sucedida em ser equilibrista perfeita. Cada mulher conhece bem as suas dificuldades e limitações.
Por isso, penso que muitas mulheres imaginam que constituir uma família poderá prejudicar seu progresso profissional. Se a crença inicial for esta, afirmo com toda a certeza que essa será uma realidade inafastável, pois as dificuldades virão minha amiga, e não serão poucas, e fatalmente minarão seus projetos profissionais. Mas te garanto que é possível progredir profissionalmente mesmo depois de casada e de se tornar mãe e isso vai depender de dois fatores primordiais: 1o) força de vontade; 2o) rede de apoio. Força de vontade sem rede de apoio dificulta em muito o trilhar da estrada profissional para as mães.
A força de vontade vem de nós mesmas, mas, e onde buscar essa rede de apoio? A primeira pessoa que deveria ser o apoiador é o pai, mas, considerando que em muitos casos essa possibilidade está descartada, sempre temos algum parente que pode fazer este papel (pensem nas milhares de mulheres que não tem nenhuma opção e que precisam contar com a ajuda de pessoas as mais diversas). É claro que a confiança nestas pessoas é tudo, mas se não existe esta pessoa, melhor procurar serviços especializados como berçários, escolinhas e creches. Existem creches públicas ótimas, mas são muito concorridas, por isso, antecipe-se sempre em solicitar uma vaga.
Minha experiência de mãe me mostrou que a criança não vai ficar traumatizada, irá se socializar e se tornará independente, além de crescer sabendo que existe uma mãe que tem vida além da maternidade!
Os riscos de serem negligenciadas existe sempre e em qualquer lugar, daí a importância de estar sempre atenta à toda e qualquer alteração comportamental.
Quanto a isso, digo também com experiência de filha única até os oito anos, que teve mãe que trabalhava fora durante todo o dia e cuja situação apenas me despertou maior admiração à ela, além de me dar enorme senso de responsabilidade, sem qualquer prejuízo à minha infância.
Mas se posso ajudar de alguma forma com algum conselho pela experiência adquira é: Faça o que tem de fazer, na hora que tiver de fazer! Ou seja, seja esposa no tempo de sê-la; mãe atenciosa quando estiver ao lado dos filhos. Inteira de atenção às necessidades deles e quando estiver em seu ambiente profissional, dedique-se à ele com afinco, pois seu tempo é curto e precioso. Te garanto que não haverá por que não progredir, se enquanto estiver no trabalho se dedicar realmente ao que se esta fazendo.
É claro que terão períodos críticos em que sua atuação profissional estará em segundo plano, mas isso é passageiro.
Mas e se a escolha profissional veio apenas após a criação dos filhos? Terei perdido a oportunidade? Não! Mirem-se nos milhares de exemplos de mulheres que se tornaram profissionais de sucesso após os quarenta anos, ou após criarem seus filhos, ou mesmo após um divórcio. Nós temos uma capacidade incrível de nos reinventarmos e devemos usar isso à nosso favor sempre.
Quanto à crença de que para ter sucesso profissional, o fracasso familiar é certo e vice versa, digo que quando escolhemos nosso parceiro da vida, temos de deixar claro desde o inicio nossa pretensões. Se houver uma comunhão de interesses e uma compreensão genuína da necessidade do outro, haverá um equilíbrio, pois um apoiará o outro, ainda que em alguns momentos essa balança tenha de pender mais para um dos lados.
Meu marido me apoia em tudo que faço, mas ele me conheceu sabendo de todas as minhas ambições e o quão ambiciosa eu sou. Portanto, ele sabia bem onde estava se metendo. Durante nossos doze anos juntos, tivemos fases em que eu tive de apoiá-lo para o seu progresso profissional, e ele à mim, para meu desenvolvimento com mãe, e profissional, mas sempre buscamos equilibrar os papéis, sem sentimentos de concorrência, e sim de parceria.
Eu sou um exemplo pequeno e em desenvolvimento ainda, mas poderia indicar vários outros exemplos.
Há cerca de dois anos, conheci a biografia da Sheryl Sandberg, alta executiva do facebook, e que escreveu um livro fantástico sobre o empoderamento feminino chamado “Faça Acontecer”, da Companhia das Letras aqui no Brasil. Hoje, infelizmente ela é viúva, mas na época em que escreveu o livro, ela mencionou a importância da parceria dela e o do marido, e nos momentos em que cada um teve de ceder para o crescimento do outro. Mãe, ela revela sem medo as dificuldades do dia à dia, e até as pequenas “negligências” maternas, como fazer os filhos dormir já com o uniforme da escola e assim, ganhar tempo do dia seguinte (mães “perfeitas” entrarão em colápso), e num dado momento ela revela o seguinte: “as mães que ficam em casa podem me fazer sentir culpada e às vezes me intimidam. Em alguns momentos sinto como se me julgassem, e imagino que em alguns momentos elas sentem como se eu as julgasse. Mas quando supero meus sentimentos de culpa e insegurança, sinto gratidão.” (pg. 207)
Termino este post afirmando ainda que não acredito em “terceirização” da maternidade, pois quando temos funcionárias que nos apoiam na função de cuidar dos filhos, ou parentes, sempre podemos instruí-los sobre como passar nossos princípios e valores aos filhos, e nas oportunidades de conviver com nossos filhos, observar as suas necessidades. Ouví-los e mostrarmos atentas, demonstrando interesse na rotina dos pequenos ainda que com ligações ao longo do dia. Bilhetinhos. Na preparação especial do lanchinho da escola e na definição do cardápio. No preparar a mochila da escola e o uniforme a ser usado. No contar uma estória antes de dormir ou dar um banho e um abraço apertado. E ao fim do dia, dizer aquele “eu te amo” que ficará registrado em seus corações e nos nossos, para sempre.

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