DE ESTAGIÁRIA À SÓCIA.

Quando me formei em 2004, me vi desempregada por ter pedido demissão do escritório o qual eu estagiava, vendo a certeza de ter um emprego garantido após alcançar minha habilitação como advogada, ir por água à baixo. Foi uma decisão difícil e complicada, e me trouxe muito medo inicialmente. Mas, jamais arrependimento.

Ao iniciar-me na vida profissional como advogada habilitada, já me sentia apta à atuar como tal, embora com muitas limitações é claro, mas certamente, muito melhor preparada que a maioria dos meus colegas de faculdade, devido ao período dedicado à estágios práticos em escritórios de advocacia, cujo estágio iniciei em 1999.
Faço um parênteses neste texto, para alertar sobre a importância de um bom networking, já que eu nunca tive ajuda de parentes, sobretudo por não tê-los na cidade em que me estabeleci, tendo na minha rede de amigos, meu tesouro maior em termos de networking. Assim, sempre contei com o apoio de pessoas importantes em minha vida, que me abriram portas e me trouxeram inúmeros auxílios em termos profissionais. Entretanto, entendo que o networking para ser válido, deve ser baseado em um relacionamento criado de forma desinteressada. Eu jamais acreditei em relacionamentos iniciados à força, de maneira insistente. A rede de contatos deve ser criada com base em pessoas interessantes e que agregam algo de valor que com elas convivem. Mas para mantermos pessoas assim ao nosso lado, devemos nos mostrar interessados e compromissados com responsabilidades.
Assim, posso afirmar com toda a certeza que dificilmente se criará um networking valioso em uma mesa de bar, em baladas ou mostrando-se irresponsável e pouco interessado em comprometer-se com algo mais sério.
Retomando o contexto inicial, muito embora eu tenha me sentido acuada e preocupada no primeiro momento, eu tinha uma certeza inabalável dentro de mim de que tudo daria certo. E deu!
Ao pedir demissão, meu antigo patrão que não queria que eu tivesse saído do escritório, passou a me terceirizar diversos trabalhos, sobretudo na produção de recursos de natureza especial, aos Tribunais superiores, e me pagava por produção. Também uma de minhas melhores amigas, hoje juíza, que conhecendo meu empenho, habilidade e responsabilidade, me dividia alguns clientes, enquanto se empenhava nos estudos para magistratura. Com ela consegui meu primeiro cliente fixo, um ano após me formar e habilitar, que nos pagava mensalmente um valor que custeava o financiamento do meu carro.
Além disso, me uni a uma amiga da faculdade que também estava iniciando na advocacia, e assumimos uma sala comercial no centro da cidade, bastante humilde, mas que nos garantia o atendimento de uma clientela menos exigente. Íamos atrás das mais diversas parcerias, sindicatos, conhecidos e até nos arriscávamos em algum marketing, e íamos conseguindo nossa clientela.
Com dois anos de formada e advogando, incentivei minha sócia, e a essa altura éramos três, a irmos para uma sala comercial de alto padrão, visando uma clientela de maior poder aquisitivo, e mesmo com receio, elas toparam, e pudemos nos instalar em uma sala comercial em local nobre, em um prédio recém inaugurado, onde hoje se instala um juizado especial. Ali conseguimos não só nos manter, mas também crescer.
Comecei a atender empresários que me levavam outros clientes, e iniciei atendimento para cooperativas de crédito e fazer correspondência para empresas de grande porte como a Rondon, de Caxias do Sul, que me valeu ótimos rendimentos.
Neste período me pós-graduei em direito do trabalho e processo do trabalho, muito menos por gostar e muito mais para me familiarizar na área, o que ironicamente iria me valer uma segurança imprescindível para assumir o contencioso trabalhista de grandes empresas posteriormente.
Novamente abro um parêntese para dizer que tive um período de trabalho aliado ao estudo para concursos, que também me valeu um conhecimento mais aprimorado.
Entretanto, meu marido (casei-me no fim de 2005), estava encerrando uma sociedade com um advogado muito experiente, porém idoso, e estava determinado a abrir sua própria firma, insistindo para que eu me unisse à ele.
Tive muito receio em virtude do medo de trabalhar com o marido e prejudicar o relacionamento, também em virtude de minhas sócias. Entretanto, em 2008 nos unimos, eu e meu marido, também como sócios, e adquirimos um imóvel bem localizado onde estamos até hoje.
Das minhas sócias, trouxe a primeira, que hoje se divide entre Cuiabá e Brasília, mas que segue também muito bem em seu ramo de especialização, enquanto a outra, seguiu em seu próprio escritório, e também vive com independência, e somos amigas as três.
Com meu esposo construímos um escritório estável, e ampliamos nossa atuação, mas ainda temos muito para evoluir.
Tive muitos desafios, e os tendo, entretanto, sou movida por eles e detesto me acomodar, tenho muito que aprender, mas também quero compartilhar.
Acredito que quando temos objetivos claros, confiança e determinação para seguirmos apesar do medo, dos obstáculos e toda a carga emocional que acompanha nossa história de vida, tudo segue um fluxo positivo de crescimento e evolução. Por fim, finalizado com uma frase que acredito muito: oportunidade só tem valor quando encontra preparo. Esteja preparado (a) para as oportunidades. Elas surgem à todo o momento, agarre-as.

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