PRINCIPAIS COMPETÊNCIAS DO ADVOGADO EMPRESARIAL

Ao definir a atuação profissional com foco na advocacia empresarial, é primordial que o (a) advogado (a) busque constantemente se familiarizar com o ambiente empresarial como um todo.
A empresa deve sentir que o seu jurídico está afinado com seus interesses e que terá no advogado, um fiel conselheiro cujas habilidades servirão sobretudo para evitar problemas a causar entraves na atividade principal do empreendimento. Significa dizer que o advogado que se limitar a apontar o indicador à toda e qualquer situação que lhe seja pela empresa apresentada, preocupado apenas em enfatizar falhas e deficiências sem qualquer iniciativa positiva para saná-las ou contê-las, certamente deve buscar outra área de atuação.
O empresário brasileiro em sua essência é empreendedor, visionário e corajoso. Não gosta de perder tempo com aquilo que considera pormenores, e por certo, consideram que a burocracia é uma delas, embora de fato não seja. Assim, o trabalho do advogado é justamente lidar com essa burocracia pelo empresário, seja a interna corporis ou aquela imposta pela Administração Pública. Fazer o empresário compreender a razão da existência de algumas demandas, faz parte do papel de aconselhamento, ao passo que saber lidar com a frustração do cliente no que diz respeito ao descompasso entre sua necessidade de ação urgente e o sistema burocrático que parece retroceder à todo o tempo, é uma das habilidades mais importantes na atividade jurídico-empresarial.
O empresário não gosta de “perder tempo” com aquilo que lhe parece minúcias, e cobra soluções urgentes. E quase tudo será urgentíssimo. Portanto, desenvolver habilidades ligadas à inteligência emocional, além de ser necessário à todo e qualquer advogado, considero que é extremamente exigido a quem lidará com demandas empresariais, cujo ritmo de produtividade é ditada muito mais pelo perfil da empresa/cliente, do que necessariamente pela sociedade de advogados, departamento jurídico ou o advogado em si.
Tecidas estas considerações, entendo que dentre as competências de um bom advogado empresarial estão as seguintes:
Pluralidade – o advogado empresarial não deve se limitar a uma única área de atuação. Obviamente não será um generalista a conhecer e entender todo o tipo de situação jurídica com competência necessária ao sucesso da questão, mas certamente deve ter um vasto conhecimento acerca das principais questões que possa envolver toda e qualquer empresa;Interesse – o profissional deve genuinamente interessar-se na atividade empresarial do cliente. Estabelecer uma conexão sincera com a finalidade e princípios da empresa;Dinamismo – característica de pessoas que costumam agir ao invés de aguardar o que estar por vir. Iniciativa é a palavra a melhor definir esta competência. Antecipar-se às necessidades da empresa;Criatividade – vislumbrar soluções à todo o momento, que devem ser demonstradas na prática e que exijam o mínimo de investimento e dificuldade na execução;Curiosidade – o profissional deve ser curioso. Isso faz com que busque informações à todo o tempo sobre diversos assuntos. Utilizar-se de mídia especializada, como periódicos voltados aos assuntos de economia e desenvolvimento de mercado e RH, que ajudam na formação de idéias e soluções;Disponibilidade – não significa atender o cliente em qualquer hora, dia ou local, mas apresentar feedback sempre que solicitado. Dar as respostas em tempo e demonstrar reconhecimento quanto a urgência da demanda;Organização – advogado empresarial deve ser organizado. Ter controle rigoroso com prazos de relatórios, documentos recebidos e devolvidos, checagem constante do que fora concluído e entregue, organização de fluxo de emails, documentação de conversas, solicitações e dabates;
Empreendedorismo – a maior identificação que o advogado empresarial pode ter com o cliente é o desenvolvimento do seu próprio senso de empreendedorismo. Livrar-se do esteriótipo da velha advocacia e abraçar o futuro deve ser um objetivo constante.Objetividade – não cabe prolixidade na advocacia empresarial. O advogado empresarial deve ser objetivo, prático e claro na transmissão da mensagem que pretende transmitir.
O profissional apegado ao linguajar excessivamente formal causa desinteresse imediato ao empresariado, cujo ritmo apressado não se concilia com firulas gramaticais, e nem se impressiona com demonstrações teatrais da vastidão de conhecimento teórico acumulado.
Aqueles que se interessarem em atuar nesta área da advocacia deve buscar desenvolver e aprimorar estas competências à todo o momento. Descuidar de quaisquer delas, pode fatalmente ocasionar o desgaste na relação com o cliente, à todo o momento assediado e interessado no que há de novo.
Custo-benefício é o binômio de melhor interesse à toda e qualquer empresa, e o profissional que conseguir encontrar o equilíbrio que este binômio traduz, unindo-o a essas competências, tem maiores chances de alcançar um excelente mercado de atuação e de fidelizar seus clientes, que se sentirão muito menos atraídos à buscarem outros profisisionais, além de que uma vez fidelizado, o cliente tende a concentrar suas demandas em um único lugar, em virtude da segurança e confiança adquirida na qualidade do serviço entregue peloprofissional ou pela sociedade.
Lisiane Valéria Linhares Schmidel é sócia fundadora da Schmidel & Associados Advocacia, atuante na advocacia empresarial, com ênfase em Tributário, Ambiental, Trabalhista, Minerário e Agronegócios. Pós Graduada em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes do Rio de Janeiro; Pós Graduada em Direito Empresarial, Negocial e do Consumidor pela Fundação Escola do Ministério Público do Estado de Mato Grosso; Membro do Instituto Brasileiro de Práticas Colaborativas.

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