Vencendo o medo do desconhecido.

Ninguém sabe tudo. Óbvio. Aliás, nascemos ignorantes. Desconhecemos qualquer coisa que esteja além dos nossos próprios instintos ligados diretamente ao nosso senso de sobrevivência. Por meio dele, vencemos o medo inicial e superamos obstáculos. O abrir dos olhos pode ser uma grande ato de coragem quando se nasce, se considerarmos que nos desenvolvemos em um ambiente escuro, imagino, por nove meses via de regra.
Imagino que a luz aos olhos abertos pela primeira vez, traga um desconforto imenso ao recém chegado a este mundo. Mas o que o bebê faz diante deste incômodo inicial? Fecha os olhos por alguns segundos, e após, tenta abri-lo uma, duas vezes, até se habituar totalmente com a luminosidade, tornando o ato de abrir os olhos em um dia claro, mais uma trivialidade de nossa existência, àqueles que tem a dádiva do sentido da visão, é claro.
Falo desta situação tão somente para constatar que desde que nascemos lidamos com o incômodo e com diversas situações que nos desperta medo, por razão ou intuição. O medo racional, aquele que é desenvolvido após muito pensar sobre determinada situação, se alimentado, apenas impede a ação. Devemos avaliar as variantes de toda e qualquer decisão que iremos tomar. Isso é natural. Ao atravessarmos uma rua, por mais habitual que seja, tomamos uma decisão de atravessar uma via pública, cuja travessia poderá ser de acordo com a cautela, olhando para os lados, certificando-se de que o local da passagem é adequado, com faixa de pedestre, sinalização e etc., mas, ao decidirmos seguir, averiguamos os riscos e simplesmente, seguimos.Entretanto, e se diante de tantos carros que passam, pensarmos sobre o risco de tropeçamos durante a travessia, e a queda ocorrer justamente quando o semáforo abrir o sinal verde de passagem de veículos? E se imaginarmos que ao atravessarmos a faixa de pedestre, um carro desgovernado poderia nos atropelar por não conseguir frear? E ainda, se pensarmos na possibilidade remota de que, durante a travessia, tivéssemos um enfarto? O desmaio? Ou qualquer coisa do tipo? Provavelmente ficaríamos paralisados até enfim, desistirmos da travessia e buscarmos chegar ao outro lado da rua por uma volta maior, ou simplesmente, desistimos do ponto de destino.
É assim com nossas decisões profissionais. Devemos saber das variantes, dos riscos evidentes, e ao mesmo tempo, pensarmos nas medidas para evitarmos estes riscos. Mas, se todavia, focamos nos riscos mais drásticos e quase que inventivos, o medo nos toma conta e nos impede de caminhar, ou nos faz retornar ao ponto de partida.
Mas viver, viver é arriscar-se. Viver é saber que se falhamos, não o fizemos por covardia, mas sim por acreditarmos. E se falharmos? Bem, então aprenderemos o caminho mais correto a seguir.
Contudo, não se deve confundir coragem com imprudência. Hoje temos uma infinidade de informações, sobre tudo, a um custo bastante acessível e até sem custo algum. Isso encurta o caminho em muito, pois o conhecimento é sempre o melhor instrumento para a vida. O conhecimento com a ação direcionada, ainda mais!
Então, eu concluo dizendo que o medo é fruto da ignorância. A ignorância, assim como a sapiência, é uma escolha. Saber o que fazer com o conhecimento e utilizá-lo, é o melhor antídoto contra o fracasso e a frustração. E a lamentação, apenas é o subterfúgio dos covardes.

Deixe um comentário